veredas_cabeceira

ISSN 0874-5102

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Número 1

Tentar o impossível é por vezes o único modo de conseguir o necessário.
Desde há muito que vários de nós sentíamos a necessidade da cria­gáo de urna revista da Associação Internacional de Lusitanistas. Temos membros em cerca de trinta e cinco países de todo o mundo. Desses países, apenas sete são de língua portuguesa. A grande maioria dos países onde exercemos o nosso "lusitanismo" -termo que os fundadores da AIL desejaram neutro para significar os estudos das diversas culturas veiculadas pela língua portuguesa- insere-se no contexto de outras línguas e culturas. A realização de congressos trienais e a publicação das respectivas actas já permitia que alguns de nós nos conhecêéssemos uns aos outros, que nos pudéssemos ouvir e ler, aprender uns com os outros. Mas claramente não era o bastante, não era só assim que se conseguiria criar o sentido de propósito comum, dentro da nossa ampla diversidade, de que urna revista como esta pode ser o instrumento necessário e o lugar de convergência que faltava.
Veredas não é, portanto, apenas mais uma revista, urna revista como as outras, melhores ou piores. Pelas suas características internacionais - pelos leitores e colaboradores plurinacionais a que se dirige e que visa publicar-, é uma revista única em língua portuguesa. Mas é também por isso mesmo que o projecto de uma tal revista corria o risco de não ser viável por náo caber na política cultural de qualquer país ou insti­tuigáo, de ser urna necessidade impossível de realizar.
O impossível que era necessário tentar foi agora conseguido gravas, acima de tudo, á acção do actual Secretário-Geral da AIL, Professor Sebastião Tavares de Pinho, e á visão do Doutor Fernando Aguiar­Branco, Presidente da Fundação Engenheiro António de Almeida.
Assinalar a criação de Veredas é assim o mesmo que lhes prestar pública homenagem.
O resto, o futuro da revista, dependerá de todos nós.
A revista será publicada anualmente, em volumes de aproximadamente 350 páginas. Um volume duplo, cada três anos, consistirá de comunicações apresentadas no congresso imediatamente anterior. Tanto num caso como no noutro, os textos enviados para publicação ficam sujeitos àá apreciação prévia de um conselho de leitura, de modo a garantir o necessário nivel de qualidade. Sempre que possível, a revista procurará assegurar a publicação de uma percentagem significativa de textos de colegas com acesso mais dificil a outras revistas estabelecidas, seja por razão da sua juventude ou das circunstáncias das culturas nacionais em que trabalham. As comunicações a congressos que não forem seleccionadas para o volume duplo da revista serão, no entanto, publicadas em CD-Rom, juntamente com as outras, para que haja um registo per­manente das contribuições de todos os membros da AIL que neles participaram.
Os dois primeiros volumes de Veredas foram organizados segundo critérios pragmáticos acertados entre mim e o Professor Sebastião Pinho e aprovados pelos outros membros da actual direcção da AIL. O mais importante, pareceu-nos, foi avançar tão cedo quanto possível com o projecto. As estruturas permanentes da revista serão, no entanto, discutidas e decididas, como cumpre, pela Assembleia Geral da nossa Associação na primeira oportunidade, que será o Sexto Congresso, a rea­lizar-se no Rio de Janeiro de 8 a 13 de Agosto de 1999.

Helder Macedo

Conteúdos:

HELDER MACEDO
Nota de abertura

NUNO JÚDICE
O feixe mítico em "A bela e o monstro"

JOSE AUGUSTO CARDOSO BERNARDES
A sátira da mudança no teatro de Gil Vicente: o peso da História e a leveza da Arte

APULO FERNANDO DA MOTA DE OLIVEIRA
Relações entre literatura e história em Os Lusíadas

BARBARA SPAGGIARI
Ecdótica e crítica das variantes

DULCE MARÍA VIANA MINDLIN
José de Anchieta, um jesuíta exemplar

ROBERTO SCHWARZ
Discutindo con Alfredo Bosi

MARIA APARECIDA RIBEIRO
O maracujá e a paixão: variações de un tema literário

HELENA CARVALHÃO BUESCU
A casa e a encenação do mundo: "Os Fidalgos da Casa Mourisca" de Júlio Dinis

MARIA SARAIVA DE JESUS
Alguns estereótipos sobre a mulher na segunda metade do século XIX

LUÍS DE SOUSA REBELO
Eça e a Inglaterra

REGINA ZILBERMAN
Memórias póstumas de Brás Cubas: diálogos com a tradição literária

MARISA CORRÊA SILVA
Conceiçã
o e Shahrazad: a sedução em dois contextos

MARIA LÚCIA DAL FARRA
A dr de existir em Florbela Espanca

CLEONICE BERARDINELLI
O ensaísta Nemésio

LAURA CAVALCANTE PADILHA
Por terras de África com Helder Macedo e Mia Couto

RITA MARNOTO
Lisboa. Livro de bordo. Cúmplices de vozes, olhares e memorações

TANIA FRANCO CARVALHAL
Todos os nomes, de José Saramago: alegorias do labirinto

SILVIANO SANTIAGO
A bolha e a folha. Estrutura e inventário

GILDA SANTOS
Vasco Graça Moura e Jorge de Sena: un diálogo posível

MOEMA PARENTE AUGEL
Mistida e Kikia Matcho: uma leitura da Guiné-Bissau

MARIE-HÉLÈNE PIWNIK
Mário de Carvalho: crónica de un desfecho anunciado

ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA
Duas décadas de literatura luso-americana: um balanço (1978-1998)

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